KÁTIA ROCHA BRASILEIRA

Por Evanize Sydow
Os grandes olhos escuros, o sorriso largo e a cor morena da capixaba Kátia Rocha mostram que o título de seu terceiro CD não poderia ser outro. "Brasileira" é uma captação dos sons e ritmos deste país de dimensões gigantescas. E para retratar essa imensidão, Kátia e o produtor e arranjador Leandro Braga incluíram no disco a participação de um elenco muito especial:

Zé Renato, Maurício Maestro, Jamil Joanes, Simone Guimarães, Elisa Lucinda, Cris Delanno, Xande Figueiredo, Wilson das Neves, Luciana Rabello, Marco Pereira, João Lyra.

O CD independente "Brasileira" foi lançado no dia 1º de setembro, no Teatro Glória, em Vitória. Com direção da atriz carioca Cláudia Puget, o espetáculo também teve a presença de gente boa. O compositor Sérgio Natureza, o Maestro Leandro Braga, Josué Ramos no cavaquinho , Hariton no violino, César Vasquez pandeiro, o percussionista Fábio Carvalho com as Crianças da banda de congo e a cantora e compositora Simone Guimarães .
Na banda Rogério Bezerra, teclados e violão, Otávio Ribeiro, baixo, Gean Pierre , guitarra e violões, Eduardo Rossi, bateria e Joabe Lima na percussão.

Surfista e praticante de meditação tibetana, Kátia, uma taurina tranquila que costuma se transformar no palco envolvida pela música, começou a estudar flauta transversa durante o período em que cursava a faculdade de Educação Física. A música falou mais alto e ela seguiu para o Rio de Janeiro, onde estudou canto. Antes, já tinha recebido das mãos do pai um saxofone. O instrumento lhe pareceu estranho e a moça tratou logo de vendê-lo. Não sabia que mais tarde, depois de orientada por Ricco Duarte, o sax se tornaria o seu instrumento no grupo Confusion Jazz Fusion, que ela passou a integrar quando voltou a morar em Vitória.


Ouvinte eclética e apaixonada - gosta de Janis Joplin, Jimmy Hendrix, John Coltrane, Vivaldi, Elis Regina, Milton Nascimento, Gonzaguinha - Kátia sempre gostou de cantar. Em 1996, lançou seu primeiro CD, que também foi produzido por Leandro Braga, misturando música instrumental e outras canções de Edu Lobo, Gilberto Gil, Luis Melodia e os capixabas Carlos Bernardo e Flávio Rocha.
No ano seguinte, Kátia participou do Projeto Pixinguinha, fazendo apresentações por cidades do nordeste ao lado do saudoso sambista João Nogueira. Quando chamava Kátia para o palco, João lembrava a história de Chiquinha Gonzaga. O último dos espetáculos no nordeste, em João Pessoa, permanece na memória da artista de forma especial. "O teatro era todo de madeira e as poltronas, vermelhas. Parecia que estávamos num navio. Estava lotado. Foi o som mais emocionantes que fizemos, uma magia maravilhosa. João Nogueira tem um público grande no nordeste. No dia seguinte, no aeroporto em São Paulo, eu ainda estava extasiada", lembra.

Outra lembrança importante é a participação no espetáculo "Crooner" de Milton Nascimento, no então Palace, em São Paulo, há dois anos. Ela recebeu um telefonema de Tânia Silva, sua produtora e secretária particular de Milton, dizendo que ele queria a participação dela no show.Era um sábado e a platéia estava abarrotada de gente. Emocionada, Kátia entoou Raça.


Em "Brasileira", as raízes capixabas estão presentes. Neta de pescadores e filha de mãe nascida em Conceição da Barra, na divisa com a Bahia, perto da encantadora Itaúnas, Kátia incluiu em seu novo trabalho uma homenagem às bandas de congo do folclore capixaba. Diz: "Se a caiana tá madura, morena, vamos moer. Eu não tenho coração pra ver a caiana perder. Chora caiana que ela há de me valer. Moça bonita chega na janela. Ela me namora e eu namoro ela." No ritmo das congadas, a participação da poetisa Elisa Lucinda, Fábio Carvalho e Simone Guimarães.

O disco também traz composições de Lenine e Sérgio Natureza, Porfia, Paulinho Moska e Nilo Romero, A seta e o alvo, Francisco Velasco, Minha ilha, Ary Monteiro e Elias Soares, Mané Gardino, Leandro Braga e Sérgio Natureza, Um breve adeus, além da regravação de Paula e Bebeto, de Milton Nascimento e Caetano Veloso. Kátia divide com Elisa Lucianda a autoria de Central Park. E Tez, de Simone Guimarães e Sérgio Natureza, parceria das mais felizes, é dedicada pela cantora capixaba a Milton Nascimento. É bonita demais e tem tudo a ver com Milton, com Kátia, com Brasil, com cada um de nós, com "Brasileira". Mais ou menos assim: "Quem misturou as tintas, as etnias, quem te fez. Das especiarias, das ervas finas, a tua tez. Liso lilás veludo, bronzeia tudo tua morenez."

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